quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Voando em busca do sonho americano...


E lá se foi em sua primeira viagem para fora do país, o jovem de apenas 19 anos de idade. Nesta fase da vida tudo é uma aventura! Os passeios, conhecer novos lugares, novas pessoas, novos amores...
Sua vida no Brasil não era fácil, mas com a ajuda de parentes próximos e amigos da família conseguiu guardar certa quantia em dinheiro e tirou seu passaporte. Com seu visto liberado, passagem comprada e malas prontas, seguiu seu caminho, deixando para trás seus pais e irmãs, que torciam para que tudo desse certo em seus planos e conseguisse conquistar o tão disputado “sonho americano”. Era sua chance de ganhar o mundo e proporcionar uma vida melhor para seus familiares, que também contavam com isso!
Passada a primeira etapa e chegando ao novo país, a próxima barreira a vencer era a da língua! Com inglês básico e algum jogo de cintura, conseguiu driblar as dificuldades do choque cultural e chegou ao lugar onde seria sua residência por meses a partir dali!
Como quase todo imigrante, começou a trabalhar em restaurantes fazendo serviços de ajudante de garçom. Não era o ideal, mas era o que tinha. Era isso ou passar fome (situação da qual não ficou livre de experimentar mais adiante em sua jornada). Com o baixo movimento de turistas no restaurante, devido à temporada de furacões naquele Estado, viu-se obrigado a mudar de trabalho, de casa, de cidade... Ali onde estava já não era suficiente para seu sustento básico. Seguiu país adentro para então arriscar novo labor. Este prometia! Não parava nunca, fizesse chuva, fizesse sol... lá ele teria trabalho o tempo todo!
Porém, tal situação, que parecia bastante cômoda até, revelou-se uma armadilha. Recém-formado nas Ciências Técnicas da Administração, e com proficiência em Contabilidade e Administração Financeira, percebeu um “erro” na contabilidade do salário que a ele era devido. Logicamente contestou tal falta, e como resposta obteve um sonoro “Você está despedido!”. Era sua primeira derrota naquele país onde sonhara tantas e tantas vezes realizar seus desejos, dos mais básicos aos mais extravagantes. Foi a primeira vez que saboreou o gosto amargo da vida adulta. Não que tivesse nascido em berço de plumas, mas nunca havia recebido de frente tal impacto antes. E o pior: ele estava certo! Estava sendo usurpado em seu salário, e cobrara apenas aquilo que era correto. Não era justo! Mas a vida é justa? Contudo, não se deixou abater por isso, ele não podia ter esse “luxo”! Juntou seus poucos dólares restantes e seguiu para buscar outros estados, outros lugares onde poderia seguir com seu planejamento de vida!
Instalado agora no extremo Norte da América, num apartamento localizado acima de uma boate de Strip-tease recomeçou sua luta. Foi ali que aprendeu mais uma lição dura da vida. Sem mais reservas financeiras, precisou da solidariedade de outros para conseguir comida. Dormia cedo e acordava tarde, para que fizesse somente uma "refeição" por dia (um copo de leite com cereal de arroz). Buscou e tentou desenvolver várias atividades, nas mais diversas áreas: desde padaria, até ajudante de encanador! Mais uma vez não logrou êxito em sua busca. Nesse período do ano já estava na alta da temporada de inverno, e o país volta-se principalmente para o Natal... “zerando” praticamente todas as outras oportunidades de trabalho. Diante mais uma vez do fracasso em seu planejamento, que a essa altura já fugira e muito do prumo inicial, precisou mais uma vez fazer as malas e levantar acampamento. Desta vez para o Sul, onde não sofreria tanto com a influência da temperatura e do período festivo para impedir que encontrasse algum meio de sustentar-se. Seu sonho ainda não tinha acabado.
Agora acolhido em uma das cidades com maior influencia latino-americana daquele país, viu novamente acender a chama da sua busca. O cheiro do mar e o calor do sol novamente em sua pele fez reaquecer seus desejos. Poderia reposicionar seu planejamento e dar continuidade àquilo que almejara antes de viajar. Estava mais uma vez entusiasmado! Organizou-se, iniciou um curso de aperfeiçoamento na língua estrangeira e buscou novamente seu lugar ao sol.
Porém, nem tudo seguiu como planejado. O jovem adulto (agora longe de ser aquele sonhador recém-saído da adolescência) encontrou mais uma vez diante de si uma dificuldade a vencer. Seu visto estava preste a vencer, e ele ainda não conseguira sequer um terço do que havia planejado. Nada de renda boa, nada de estabilidade, nada de visto permanente... Seu sonho passou a tornar-se um maldito pesadelo. Encurralado, precisou aprender mais uma lição. Teve que recuar em sua caminhada, para mirar com maior impulso e precisão na próxima investida. Desolado, retornou ao seu país de origem. Voltou para os braços da família.
Mas sua vida não continuou de onde havia parado, como imaginou, pelo fato de ter que retornar ao seu país. O que ele não percebera é que sua experiência lá fora, aparentemente amarga e cheia de sofrimentos, havia feito com que ele amadurecesse lá o tanto que ele nunca amadureceria no curto espaço de um único ano no Brasil. Saiu um jovem sonhador, retornou homem maduro e experiente. Aprendeu duras lições. Cresceu como pessoa. Conheceu a vida como ela é! E continua fazendo novos vôos, descobrindo novos sonhos e perspectivas, mesmo que nem sempre as mais belas!


Flávio Augusto Albuquerque

*Texto concorrente no Festival Cultural Banco do Brasil (adaptado)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O possível e o impossível está dentro de nós!



Existe uma parábola que diz...

Dois garotos estavam brincando no gelo,e o gelo rachou e um dos meninos afundou. 
Diante do perigo iminente de perder o irmão, o garoto tentou quebrar o gelo na direção da correnteza para tirar seu irmão lá de dentro. 
Todos que passavam na hora e viram a comoção do garoto tentaram ajudar, mas antes de mesmo tentar, já lamentavam-se da perda do menino, que ainda tinha chances de ser salvo, mas a cada minuto que passava essas chances diminuíam... 

De repente passa por ali um menino franzino, que mal se sustentava em pé de tão finas as pernas. Além disso parecia subnutrido devido a escassez de recursos em que vivia sua família. Para piorar sua situação, ele era surdo-mudo! Mas era um bom garoto. Educado. Todos na cidade o conheciam... 
Ao ver as pessoas reunidas no rio congelado, por ser surdo, não sabia o que tinha acontecido... Apenas que alguém precisava de ajuda. 

Decidiu então caminhar até o local onde todos já tinham tentado quebrar o gelo,e mesmo com todo o protesto do povo que assistia e temia agora que não apenas uma, mas duas crianças morressem no rio congelado, ele foi até lá, quebrou o gelo e resgatou o menino que, apesar da hipotermia, estava milagrosamente ainda vivo. 

Todos que viram a cena não acreditaram... Como pode um garotinho raquítico, franzino, subnutrido, quebrar aquele gelo que vários homens já tinham tentado e não conseguiram?! 

E nesta hora, um velhinho que assistia a todo o acontecido de longe, disse entre baforadas de cachimbo... "...o que fez com que o menino quebrasse o gelo foi a força interior dele! Como ele era surdo, não pôde ouvir os gritos de protesto e de palavras negativas daqueles que diziam que ele não conseguiria, e assim não envenenou-se com o pensamento dos outros sobre ele. Enquanto que as outras pessoas, por mais bem intencionadas que estivessem, começavam a tentativa de resgate com o pensamento dos perdedores, de que não conseguiriam, e isso fez com que realmente eles não conseguissem!"... 

Então, moral da historia: Nunca brinque num lago ou rio congelado... E se você brincar, e cair... Ouça sua força interior e saiba que você consegue! Seja sempre surdo para aqueles que disserem que você não consegue!


Flávio Augusto Albuquerque