domingo, 17 de maio de 2009

Um pedaço da minha aventura nos EUA (parte 2)


Finalizando a aventura no Norte-Nordeste dos EUA, já sem ter reserva financeira alguma, entrei em contato com um cara que estava morando em Coral Gables, Miami, FL. Ele era pai de uma menina que havia estudado comigo aqui em Recife, e que fiquei sabendo que morava lá. Ele já era legalizado e quase naturalizado americano. Ele pagou a uma mulher para casar-se com ele, e depois de um certo tempo, conseguiu a legalização. Esse cara me ajudou bastante enquanto eu estava em Miami. O único problema de Miami é que é o "Brasil e toda a Cuba" dentro dos EUA. Fora que como é alvo de imigrantes, a cidade termina tornando-se expansiva e paga-se pouco lá pelos serviços que os imigrantes fazem... para ter uma idéia, uma hora de um pintor de parede em Boston valia cerca de US$20, enquanto uma hora desse mesmo pintor valeria cerca de US$7 a US$8 em Miami. E o custo de vida lá não é assim tão diferente...

Lá na Flórida eu trabalhei com esse cara que me ajudou, instalando mármore, piso, derrubando parede e as reerguendo, instalando diversas coisas, pintando, corrigindo defeitos em geral dos apartamentos de um edifício de luxo em Coconut Grove, orla de Miami, FL... foi lá, enquanto eu refazia um teto, mudando do tipo "popcorn" para "flat", que quase eu perco meu dedo passando uma 'Makita' de disco de diamante, que serve para cortar aço, acidentalmente no meu indicador esquerdo! Graças a Deus (sempre) foi somente uma pequena parte do disco que entrou no dedo, e não foi preciso levar ponto nem fazer nada. Hoje restam a cicatriz e a lembrança.
Foi lá em Coral Gables que eu comecei a ver que todo o meu planejamento feito aqui no Brasil, baseado no 'sonho americano', estava caindo por terra... Eu chegara num ponto em que foi preciso escolher entre continuar lá do jeito que estava, e arriscar ser jogado de volta pro Brasil sem nada (até porque eu não tinha nada!), ou voltar para o Brasil naquele momento e tentar aproveitar o inglês que aprendi lá e a minha vivência no exterior, minha experiência lá fora, para trabalhar aqui. E foi isso que eu escolhi! Como sabe-se, temos que respeitar nossos limites, e eu já estava extrapolando os meus, e muito!
Graças a Deus, estou eu hoje aqui contando essa história e dividindo com meus amigos não somente as coisas boas, como também essas situações que sempre nos fazem crescer de algum modo!
Mas lá não foi somente choro e desprazer não! Existem lembranças boas, o lado positivo. Porém isso eu deixo para contar noutra ocasião, pois este post já ficou longo pra caramba!

hehehe...


*PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 17/05/2009 NO BLOG: http://flavioguto.blogspot.com*

sábado, 16 de maio de 2009

Um pedaço da minha aventura nos EUA (parte 1)


Com apenas 19 anos me mandei para os Estados Unidos! Era complicado na época pois eu era muito novo, e isso era um fator que pesava negativamente na hora da entrada no país, pois a imigração norte-americana provavelmente entenderia que eu, entrando no país com "dois panos mijados enrolados num cabo de madeira" (como nós vemos nos desenhos animados, sabe!), certamente iria ficar de vez por lá! Era necessário bolar um plano para despistá-los! Foi aí que surgiu, com meu pai, a idéia de virar um fã de Elvis Presley, e entrar naquele país como milhares de fãs fazem em épocas de janeiro e agosto todos os anos! Só que eles voltam! E eu não voltaria... nunca mais!

Bom, depois de conseguir me passar por fã de Elvis, deixando costeleta crescer; viajar no mesmo período da viagem de excursão em memória pela morte de Elvis, com passagens do vôo doméstico para o trecho Atlanta-Memphis-Atlanta compradas e prontas, para compor o personagem; de chegar usando uma camisa com uma foto enorme de Elvis estampada no peito...; após ter perdido a bagagem; viajar 2 dias de ônibus sem conhecer nada por lá... enfim, cheguei em Mobile, no Alabama! Nesse período eu fiquei trabalhando em um restaurante chamado "The Outrigger" e fazia o serviço de limpeza das mesas (acho que é por isso que eu ainda hoje, quando sento à mesa em um restaurante, bar, boteco, etc, fico limpando). O problema é que esse período era época de furacões, tornados, tufões, e com o Restaurante à beira-mar, ninguém gostaria de ser levado pelo tornado, mesmo que estivesse dentro do Restaurante, né? O movimento caiu bruscamente. A coisa apertou. Resolvi pedir à brasileira que "agenciava" essa turma de brasileiros que chegava lá procurando emprego, que me colocasse em outro trabalho, para aumentar a minha renda. A partir daí, comecei a trabalhar e morar em Martin, interior do Tenneessee, e quando estava lá começou o inverno rigoroso.

A brasileira que agenciava os imigrantes, começou a "errar" na contabilidade na hora de pagar aos funcionários. Eu, recém-formado em Técnico em Administração, com todas as técnicas de contabilidade e administração financeira ainda fresquinhas na memória, percebi o "equívoco" e informei aos colegas que também trabalhavam para ela. Ela, sabendo disto, fui demitido... A partir daí tive que me virar sozinho. Nesse meio tempo, conheci outra brasileira imigrante que estava morando em Newark, Nova Jersey. Na época que eu a conheci, ela me falou que os empregos e oportunidades lá choviam! Se realmente choviam eu não sei, só sei que quando eu cheguei lá não tinha mais oportunidade nenhuma para trabalho, pois todas as construções ficaram paradas, por causa da frieza, as madeiras ficam inchadas devido a umidade, enfim... a "chuva" tinha estiado! Eu até consegui ser ajudante de encanador por um dia... mas não dava certo... Visualize: o cara era espanhol tentando falar inglês, e eu não sabia o nome das peças de hidráulica, encanamentos, etc...quando o cara me pedia um "cotovelo" (conhecido também por "joelho") eu não entendia o "embromation" dele com aquele sotaque tosco! Não teve jeito!

Neste período em Newark, indo algumas vezes tentar algo também em Nova Iorque, a grana foi acabando... cheguei a ficar lá cerca de 10 dias, e creio que foi o momento mais difícil! Eu lembro que passei dias comendo somente um cereal feito de arroz, com leite. Eu acordava tarde e ia dormir cedo, para comer somente uma vez por dia! Eu colocava esse cereal numa xicara com leite e esperava inchar, para dar a sensação de estufamento no estômago e eu não ficar com fome! Eu choraaaava feito um abestalhado... todo enrolado num lençol, com um frio de rachar! Estava tão frio que, pelo que me disseram, não havia nevado ainda pois era necessário que estivesse menos frio para que a neve caisse...! Em uma noite lá, graças a Deus, um colega peruano, se não me engano, apelidado de Güino, me pagou um meio-galeto. Não sei como ele ficou sabendo que eu estava com fome, porque a gente mal se falava! Só tendo sido Deus tocando no coração dele! Sou e sempre serei grato por isso! Noutro momento um colega meu egipcio convidou a mim e a duas outras brasileiras que moravam na mesma pensão, para jantarmos. Fora isso, eu entrava em um rodízio sem balança, de comida chinesa e japonesa, e me empanturrava, porque aquela seria a minha única refeição do dia!

*PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 16/05/2009 NO BLOG: http://flavioguto.blogspot.com*